Miguel Oliveira liderou no primeiro dia em Sachsenring!

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  • Português não ficou longe do recorde da pista num dia de temperaturas muito elevadas

Miguel Oliveira, vencedor do GP da Catalunha, provou continuar forte também no Sachsenring, terminando o primeiro dia de treinos para o Grande Prémio da Alemanha com o melhor tempo de MotoGP.

A segunda sessão de treino começou sob 31 graus, que no asfalto chegaram aos 50. O recorde da pista era do 10 vezes vencedor Marc Márquez (1m20,195s em 2019), que fora o melhor de manhã, pelo que Oliveira surpreendeu ao chegar a 1m20,690s com a KTM num dia abrasador.

Oliveira, que tinha sido 12.º no treino da manhã, fez quase menos dois segundos na sessão que fechou o dia. O português da KTM completou 14 voltas no primeiro treino e 21 no segundo, superando o francês Fábio Quartararo (Yamaha) por 0,220 segundos e o espanhol Maverick Viñales (Yamaha) por 0,333 segundos.

O também espanhol Marc Márquez (Honda) começou o dia como o mais forte na primeira sessão e chegou a liderar a segunda, mas foi perdendo posições até terminar no 12.º lugar, a cerca de meio segundo do piloto luso.

“Por agora, o meu objetivo é ir direto para a Q2 [segunda sessão de qualificação] e qualificar bem. Nesta pista pequena, a posição de arranque é importante”, sublinhou o piloto de Almada, após ter feito o melhor tempo das duas sessões de treinos livres.

Miguel Oliveira realçou a importância de conseguir um bom lugar na sessão de qualificação, que se disputa na manhã de sábado. “Temos de nos focar em ter uma boa posição de partida e usar o ritmo de corrida. Se partirmos de trás, será mais difícil progredir”, avisou.

O piloto português aponta o espanhol Marc Márquez (Honda) como “um dos favoritos à vitória na corrida de domingo”. “Temos tentado perceber o que ele tem feito de diferente dos outros nesta pista, pois tem sido bem sucedido. Há mais um punhado de pilotos que o podem desafiar e espero ser um deles”, disse.

O piloto de Almada chega a esta oitava jornada após um segundo lugar, em Itália (Mugello), e uma vitória, em Barcelona (Espanha), resultados que coincidem com a introdução de um novo quadro [chassis] na sua KTM.

No entanto, Miguel Oliveira lembra que os bons indicadores já eram anteriores a essa evolução. “As melhorias que chegaram em Mugello ajudaram-nos a sobressair um pouco mais. Até lá, tivemos sempre bons indicadores de que a mota já estava muito perto do que seriam bons resultados, tanto em treinos como em algumas corridas que não terminei”, frisou.

Por isso, Miguel Oliveira diz que “é um pouco enganador concluir” que só em Mugello é que começou a ter bons resultados. “Num ano tão competitivo como este, com excelentes pilotos e máquinas cada vez mais próximas, torna-se cada vez mais importante apurar melhorias de cada detalhe. O que conseguir é o que se destaca mais”, concluiu.

Os pilotos em pista ficaram separados por 1,5 segundos, um dos resultados mais próximos nas últimas corridas.

Para já, Oliveira procura “velocidade em alguns setores do circuito, sobretudo no 1 e no 2”: “Temos de encontrar algo mais aí para sermos mais competitivos. Precisamos de trabalhar um pouco a eletrónica e a afinação geral”, apontou.

Miguel Oliveira considerou que “tem sido fundamental para conseguir virar a mota nas curvas e fazer a distância do GP de forma segura”, as melhorias que permitiram trabalhar com o pneu macio na frente.

A qualificação será disputada com pneus macios, mas a decisão para a corrida será feita após a quarta sessão de treinos livres.

“Miguel Oliveira a pilotar é de qualidade extrema”, diz diretor da KTM

Pit Beirer mostrou-se entusiasmado com as “linhas limpas” do português do MotoGP e a “Speedweek” revela que a equipa tem opção para 2023 e 2024

“Na pista de Mugello estive a olhar para os pilotos. Que linhas limpas, as do Miguel! Entre ele e a moto, é um conjunto bonito. Tem uma aceleração tão limpa que nunca fica a balancear. O Miguel a pilotar é de uma qualidade extremamente elevada”, disse Pit Beirer, diretor da KTM Motorsport, em entrevista à alemã “Speedweek” em que apenas falou do piloto português, que foi o mais rápido no primeiro dia de treinos para o Grande Prémio da Alemanha.

“O Miguel é muito sensível, o que explica as dificuldades que teve no início de época e se refletiram no seu desempenho. Foi um prazer ver como melhorou rapidamente quando conseguimos dar algo para o ajudar. E depois viu-se toda a sua qualidade, como já tinha acontecido o ano passado em Spielberg e Portimão”, disse o antigo piloto alemão, referindo-se já ao segundo e primeiro lugares de Miguel Oliveira nas duas últimas corridas.

“Em Mugello notou-se que ele agora tem a moto onde quer. Por isso teve dois fins de semana muito bons, de sexta a domingo. A base para o resultado de domingo começa a ser estabelecida na sexta-feira e ele prepara-se desde o FP1”, disse ainda Beirer, com uma revelação: “Miguel não quis pneus novos na primeira sessão de treinos de Barcelona. Ele começou a trabalhar na configuração de corrida logo no FP1, com pneus usados. Pode perder o melhor tempo absoluto, mas já está a trabalhar para a corrida. Por isso esteve extremamente forte nos dois últimos Grandes Prémios”.

Na Alemanha, curiosamente, Oliveira foi apenas 12.º no FP1, para ser o mais rápido no FP2, sinal de que mantém a estratégia.

“Esta categoria é tão brutalmente complexa… Planear o fim de semana, ter um plano para o domingo já na sexta-feira, são requisitos”, explicou Beirer à “Speedweek”, dando de novo o exemplo de Miguel Oliveira: “Ele a equipa examinam todos os dados novamente à noite, ele quer entender tudo. E isso torna-o muito forte. Gostamos disso, mas também adorámos a forma como reagiu aos problemas no Catar. Não arrastou a equipa para o fundo e continuou a trabalhar da mesma forma. Agora vemos os frutos disso”.

Sendo todas as 15 vitórias de Oliveira em Mundiais com a KTM, Beirer garante que “nada vai mudar depois de 2022”, ano em que termina o contrato. Segundo a “Speedweek”, a equipa tem opção para renovar para 2023 e 2024.

Fonte. ojogo.pt

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