Mundial de Fórmula 1 confirmado no Algarve em Outubro!

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  • Promotora do campeonato oficializou a integração da corrida de Portimão

A Fórmula Um está de regresso a Portugal, 24 anos depois da realização do último Grande Prémio no Estoril em 1996. O Autódromo Internacional do Algarve receberá, mais uma jornada do Campeonato, nos dias 23 e 25 de Outubro.

Esta confirmação, é o corolário de uma série de conversações que tiveram início logo após uma carta que a FPAK endereçou ao Presidente da FIA e ao Secretário Geral, manifestando a disponibilidade do Circuito de Portimão para acolher um dos Grandes Prémios em 2020.

Essa missiva foi bem aceite e as negociações que a FPAK iniciou de seguida, sempre em articulação com o Autódromo Internacional do Algarve, que fez um excelente trabalho com os responsáveis e equipas de Formula 1, foram bem sucedidas, permitindo que hoje anunciemos oficialmente a realização desta importante prova em Portugal, só possível graças ao apoio governamental, do Turismo do Algarve e do Município de Portimão.

Para Ni Amorim, Presidente da FPAK este é um momento histórico, pois é a primeira vez que um Grande Prémio de F1 em Portugal está sob a alçada da FPAK. Para além disso, Ni Amorim é o primeiro Presidente a facilitar e aprovar o regresso da F1 ao nosso país: “Ainda bem que tomámos a liberdade de, no início da pandemia, enviar aquela carta à FIA. Um gesto que marcou o início de todas as conversações que daí advieram e que culminam com este anúncio. Por vezes em períodos de exceção e de alguma fragilidade, surgem oportunidades únicas. Temos todos que nos sentir gratos por esta oportunidade e aproveitá-la ao máximo. Tenho a certeza de que Portugal e o Autódromo do Algarve serão excelentes anfitriões, e que Portugal continuará a estar na rota dos grandes eventos automobilísticos”, concluiu Ni Amorim

O regresso mais de duas décadas depois.

Há 24 anos que não se ouve a Fórmula 1 em Portugal, mas a pandemia trouxe uma oportunidade única para a organização de um dos maiores eventos desportivos do mundo em Portugal. O CEO do circuito algarvio explica que o Estado terá de contribuir com até 36 milhões de euros.

“É a maior prova desportiva que Portugal vai receber desde o Euro 2004”. A convicção é de Paulo Pinheiro, CEO do Autódromo Internacional do Algarve, mesmo num cenário em que a Fórmula 1 está numa situação disruptiva e em que ainda é uma incógnita a forma como se vão desenvolver as corridas no âmbito das novas regras, criadas em função da pandemia de Covid-19. Sobre o investimento necessário por parte do Autódromo Internacional do Algarve para receber um Grande Prémio de Fórmula 1, Paulo Pinheiro referiu, em entrevista ao Jornal Económico (JE) no início deste mês, que oscilará entre os 3 e os 3,5 milhões de euros. “Só quando tivermos o contrato é que podemos ter acesso a toda a informação para definir o âmbito total do investimento afeto a uma prova de Fórmula 1”, sublinha.

“Visibilidade global”

“O circuito não pode arcar sozinho com as responsabilidades de organizar uma prova destas”. Paulo Pinheiro realça que a organização de um Grande Prémio de Fórmula 1 implica sempre um contributo do Estado entre 27 e 36 milhões de euros (30 a 40 milhões de dólares). “O Estado de cada país tem de pagar entre 27 a 36 milhões de euros para ter uma corrida destas por causa da visibilidade que tem para todo o mundo e do impacto quase incomparável face ao retorno que o país terá, por via dos impostos, fruto da faturação que se gera. Tudo isso tem impacto direto na nossa economia, seja na componente dos impostos seja na criação de valor acrescentado”.

O CEO recorda que o Autódromo Internacional do Algarve, situado no concelho de Portimão, tem sempre a preocupação de que os eventos sejam bons para o país e para a região, mas recorda: “Somos uma entidade privada e, no final, temos de pagar os ordenados e as contas. Se vou bloquear o meu circuito para criar um evento mundial em que o maior beneficiado é a região e o país, direta e indiretamente, não posso pagar essa fatura. Há uma componente que é da minha responsabilidade e que assumo, mas há outra que é a da promoção e estamos a falar de um valor híperdescontado que, de outra maneira, seria completamente impossível ter uma corrida de Fórmula 1 em Portugal sem pagar os tais 30 ou 40 milhões de dólares. Estamos a falar de metade daquilo que seria a receita direta do IVA e da bilheteira”.

Explica Paulo Pinheiro que o pretendido passa por “uma pequena parte da visibilidade que o Estado assegure seja comparticipada pelo Turismo de Portugal, de forma perfeitamente clara e transparente, com métricas de avaliação que queremos e desejamos que sejam perfeitamente definidas, até para se perceber o impacto que a corrida tem. Queremos que a corrida seja um sucesso para o país e para a região, todos merecemos isso depois do que passámos”.

O CEO confessa que “não quer perder dinheiro com a Fórmula 1”. O circuito do Algarve tem 330 dias de ocupação da pista por ano, este ano já está a recuperar lentamente. Para Paulo Pinheiro, “a Fórmula 1 vai ser mais uma pedra basilar do nosso país, especialmente com o impacto no turismo. Queremos fazer um trabalho que fique para os próximos anos, queremos ser uma opção”.

Retorno até 30 milhões
Sobre o retorno económico do Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1, Paulo Pinheiro estima dois cenários e nenhum deles exclui a possibilidade de ter público nas bancadas: “Ainda é muito cedo para estimar o retorno que podemos alcançar, porque se a corrida tiver público numa certa dimensão terá um retorno económico, e se esse âmbito for mais alargado naturalmente o impacto será maior”.

O gestor faz contas aos cenários possíveis. “Relativamente à presença de público e ao impacto estimado da receita de bilheteira: fazendo uma extrapolação do que são outras corridas na Europa pelo preço médio dos bilhetes, se calcularmos entre 30 a 60 mil espetadores, estamos a falar de um intervalo que vai dos 17 aos 35 milhões de euros de receita de bilheteira”.

No entanto, o Autódromo Internacional do Algarve já tem alguns dados que permitem aos responsáveis estimar valores aproximados sobre o impacto económico: “Nos estudos preliminares, estimamos que só a estrutura da Fórmula 1, as equipas e toda a organização de suporte das corridas possam trazer um impacto económico direto entre 25 a 30 milhões de euros”, realça o CEO.

Escuderias conhecem a pista
Pelos contactos que o Circuito do Algarve tem tido por parte do público que quer assistir à corrida portuguesa, assim como pelo interesse demonstrado por empresas que se querem associar ao evento, o CEO do Autódromo algarvio acredita que este é um evento que pode ser decisivo na forma como Portugal é percecionado como destino de realização de provas motorizadas.

“Os números da Fórmula 1 que nos foram disponibilizados pela organização são dados com um impacto gigante. Apesar da experiência que tenho no universo das corridas, posso dizer que nunca tinha visto números assim: o alcance que a Fórmula 1 tem, o número de seguidores, o número de patrocinadores, o tipo de pessoas que assistem às corridas, os convidados, as marcas… estamos a falar dos melhores players da indústria mundial. É de facto um impacto com várias ordens de grandeza que dificilmente conseguiremos ter com outros eventos, seja de que natureza for. À primeira vista, é o maior evento desportivo que vamos receber desde o Euro 2004”, confirma Paulo Pinheiro.

Apesar de não estar integrado no restrito ‘circo’ da Fórmula 1, o Autódromo Internacional do Algarve não é um circuito desconhecido por parte das grandes escuderias mundiais. “Recebemos testes com alguma regularidade da campeã do mundo Mercedes, e também da McLaren; estas são as equipas que mais testam no nosso circuito. Tivemos também a Renault e a Ferrari e este ano temos mais alguns testes marcados independentemente de haver corrida ou não”, explica Paulo Pinheiro. O CEO explica ao JE que existe um conhecimento profundo do circuito tanto por parte das equipas como dos pilotos: “Estamos a falar de uma organização com um nível de qualidade impressionante”.

Impacto económico de 50 milhões
“Não só ganha o Algarve como Portugal e Espanha”. Paulo Reis Mourão, professor e investigador da Universidade do Minho e autor do livro “The Economics of Motosports: The Case of Formula One”, encara com otimismo esta decisão da Liberty, entidade organizadora do Mundial e perspetiva efeitos que poderão fazer-se sentir até ao nível do investimento direto estrangeiro. Em entrevista ao JE, este investigador sublinha que “vários estudos mostram que existe um influxo de receitas para os diversos negócios da região, associados a uma imagem atrativa de investimento direto estrangeiro no futuro, mas também de modernidade e qualidade organizativa”.

A propósito do impacto direto de um evento desta importância na economia em Portugal, Paulo Reis Mourão cita a estimativa que já tinha avançado no livro “The Economics of Motosports”: “Em média, uma corrida de Fórmula 1 gera benefícios em redor de 170 milhões de euros, mas só uma parte fica na região já que, na maioria dos casos, muito depende da capacidade de gerar receitas de turismo”. No entanto, este investigador ressalva que, “considerando os atuais cenários pandémicos, e convergindo com os valores projetados pelos promotores nacionais, será mais realista indicar que o impacto regional e nacional poderá chegar aos 50 milhões de euros”.

Relativamente aos investimentos necessários para ter a Fórmula 1 a mostrar o Algarve e Portugal ao mundo, Paulo Reis Mourão faz as contas às taxas, custos de organização, renovação e manutenção das infraestruturas, emprego necessário para este evento e custos de oportunidade para concluir que este caderno de encargos “ronda 50% a 70% dos benefícios, em redor de 100 milhões de euros”. O facto de algumas escuderias já estarem familiarizadas com o Autódromo Internacional do Algarve é um factor que conta para que esta pista possa ser considerada nas próximas temporadas: “Sim, ajuda no voto implícito, bem como o efeito novidade ajuda no binómio atratividade/competitividade, na medida em que ainda não é um circuito-talismã para nenhum piloto por enquanto”.

Fonte: FPAK e Jornal Económico/José Carlos Lourinho

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