Historic Endurance em grande plano no Estoril Classics 2020

0
  • Fim de semana com lotação esgotada e muita animação em pista
  • Competição presta homenagem a Nicha Cabral

O Iberian Historic Endurance apresentou-se na máxima força no Estoril Classics 2020. Um evento com lotação esgotada, com 44 equipas e pilotos de sete nacionalidades diferentes a marcarem presença e a garantirem muita animação na discussão de cada metro do exigente traçado do Estoril ao longo de todo o fim de semana.

Depois de dois dias de contacto com a pista, divididos entre sessões de treinos e de qualificação, este domingo reservou aos pilotos uma corrida com 50 minutos de duração. Antes, um momento que marcou o fim de semana. Um minuto de silêncio em memória de um dos grandes nomes do automobilismo português, Nicha Cabral, a que a corrida do Iberian Historic Endurance deste fim de semana prestou homenagem e de Laura Salvo, navegadora espanhola que infelizmente viria a falecer este fim de semana no Rallye Vidreiro, prova do Campeonato Português de Ralis.

Após este momento, chegava a altura pela qual todos aguardavam, a corrida, com uma partida lançada que deu um colorido harmónico ao Autódromo do Estoril, com as diferentes sonoridades a anunciarem a variedade de viaturas presentes na discussão ao cronómetro.

Uma comitiva comandada pelo Ford GT40 do francês Olivier Tancogne, liderança que sofreu a pressão logo de início do Merlyn MK4 de Carlos Barbot/Pedro Matos, que ainda passou por momentos pela frente da corrida. Um trio que juntava ainda o Chevrolet Grand Sport dos holandeses Michiel Campagne/Allard Kalff. Um início ao rubro, com o pelotão a seguir bastante junto e com andamentos muito próximos, o que propiciava a tentativa de ultrapassagens. O que acabou por acontecer e logo com a troca de líder, com o Chevrolet Grand Sport de Michiel Campagne/Allard Kalff a superar o Ford GT40 de Olivier Tancogne, enquanto o Jaguar E Type de Rhea Sautter/Andrew Newall iniciava uma acesa disputa pelo terceiro lugar com o Merlyn MK4 de Carlos Barbot/Pedro Matos. Logo atrás, o dinamarquês Lars Rolner, em Porsche 911 3.0RS, tentava aproveitar uma aberta dos pilotos, sendo seguido de perto pelo Porsche 911 3.0RS de Pedro Bastos Resende, que acabaria por parar pouco depois nas boxes com problemas mecânicos. Um começo de corrida apaixonante, numa altura em que o Ford GT40 de Olivier Tancogne estava já novamente no comando.

Com o decorrer dos minutos, a tensão aumentava, e o toque entre o Merlyn MK4 e o Jaguar E Type na discussão do terceiro posto foi o melhor exemplo disso, com o carro de Carlos Barbot/Pedro Matos a sair de pista, mas sem consequências de maior. Pouco depois, numa situação de bandeiras amarelas, a maioria dos pilotos aproveitava para fazer a paragem nas boxes para troca de pilotos. Com o regresso ao traçado, as disputas voltaram a fazer-se sentir, no que foi uma constante até ao final.

Com um andamento sempre forte, e com um carro que nunca deu problemas, o francês Olivier Tancogne foi o primeiro a cortar a linha de meta, vencendo os H-GTP. No pódio, o piloto foi acompanhado pela dupla Michiel Campagne/Allard Kalff, os segundos mais rápidos do dia e da categoria, ao volante do seu Chevrolet Grand Sport. Carlos Barbot/Pedro Matos fecharam o pódio dos H-GTP com o seu Merlyn MK4, depois de uma corrida em que se apresentaram em grande plano. Foram os melhores representantes nacionais e os terceiros a ver a bandeira de xadrez este domingo.

Nos H-76, a vitória sorriu a Lars Rolner, que impôs um excelente ritmo com o seu Porsche 911 3.0 RS, seguido da sua mulher Annette Rolner, ambos em Porsche 911 3.0RS. A terceira posição ficou nas mãos da dupla Ricardo Pereira/Carlos Dias Pedro, que alinhou num Ford Escort RS 2000.

Já nos H-65 foi o francês Xavier Tancogne a alcançar o triunfo, com o seu AC Cobra Daytona. Uma corrida em que o Jaguar E Type de Rhea Sautter/Andrew Newall, que teve um início competitivo, terminou no segundo posto. A terceira posição da categoria foi para o Ford Mustang Shelby 350GT de Frans Van Maarschall a poucos segundos do Jaguar, sendo o primeiro do pelotão dos Ford Mustang.

Duplo vencedor do fim de semana, o alemão Christian Oldendorff levou para casa o troféu dos H-71 e do Index de Performance, piloto que se apresentou ao volante de um Alfa Romeo GTAm, lugar dramaticamente conquistado na reta da meta e já nos últimos metros da corrida, ultrapassando o português Domingos Sousa Coutinho que vinha a liderar a categoria no seu espetacular BMW 2800 CS. O terceiro da H-71 foi para o Porsche 2.5 ST do trio Piero Dal Maso/José Carvalhosa/Nuno Nunes, que fechavam o pódio desta disputada categoria.

Na categoria Gentleman Driver Spirit depois do Ford Anglia do espanhol António Castro ter dominado no início corrida, o triunfo acabou por sorrir ao Datsun 1200 pilotado pela dupla ibérica Francisco Freitas/Guillermo Velasco, com pai e filho Tomás Pinto de Abreu/Francisco Pinto de Abreu, também em Datsun, a conseguirem ser os segundos. António Castro teve, então, que se contentar com o terceiro lugar .

Este foi um fim de semana em pleno, que superou as expectativas, conforme Diogo Ferrão, responsável da Race Ready, afirmou: “Estamos muito satisfeitos pela festa que foi o Iberian Historic Endurance. Numa altura como aquela que vivemos, termos um grelha com 44 carros em pista foi fantástico. Foi um enorme desafio, mas com a ajuda e cooperação de todos os envolvidos foi possível criar as condições necessárias para um evento desta dimensão. Prestámos também homenagem a um dos grandes nomes do desporto automóvel nacional, Nicha Cabral, o que nos deixa muito felizes. O cartaz do Estoril Classics 2020 fechou com uma grande corrida este domingo do Iberian Historic Endurance, à qual todos puderam assistir por Live Stream, uma iniciativa com grande adesão e que esperamos repetir no futuro. Face ao contexto atual, não podíamos pedir mais.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.