Máquina do tempo de emoções no Estoril Classics

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O dia amanheceu com o céu forrado de nuvens para mais uma edição do Estoril Classics, mas sem chuva no horizonte, o muito público que se deslocou ao Autódromo do Estoril assistiu a uma jornada plena de emoções e de máquinas fantásticas que relembraram as corridas de outros tempos.

A jornada começou com as qualificações das diversas categorias, desfilando perante os fãs que coloriam as bancadas e o paddock carros tão diferentes como os Mini do Troféu Mini, GT que passaram por Le Mans, protótipos que marcaram o Campeonato do Mundo de Sport, ou os Fórmula 1 que deram início ao campeonato mais importante da FIA, HGPCA F1 Pre – 1966, ou os Fórmula 1 que se afirmaram a categoria como a máxima do desporto automóvel – Classic F1 Pre – 1986.

Apenas com corridas hoje – às 10h35 e às 15h20 – os monolugares mais performantes tiveram hoje a qualificação, relembrando as sessões em que Ayrton Senna começou a forjar a sua lenda. Mark Stretton, em Tyrrell 012, foi o mais rápido, conquistando a pole-position ao bater Katsuaki Kubota, em Lotus 91-07, e Steve Hartley, em McLaren MP4.

Pela hora de almoço, algumas das máquinas que disputaram o Rally de Portugal Histórico aproximaram-se da recta da meta para realizar o slalom que marcou o final da prova portuguesa do Campeonato do Mundo FIA de Ralis – WRC durante anos. Ari Vatanen, no Opel Manta que pilotou em 1983, e Mikko Hirvonen, num dos seus Ford Focus WRC, fizeram vibrar as gentes que se reuniram para os ver, dando um espetáculo que fez estremecer o asfalto do Autódromo do Estoril.

Depois das qualificações matinais, foi a HGPCA Pre – 1966 a abrir as hostilidades com a sua primeira corrida do fim-de-semana, tendo brindado os adeptos portugueses com uma prova emocionante com as máquinas que moldaram aquilo que é hoje a Fórmula 1.

Andrew Beaumont, em Lotus 18, arrancou da pole-position, tendo ao seu lado o Brabham BT11 de John Farley. A dupla afastou-se dos seus perseguidores a um ritmo impressionante, enquanto lutava entre si, empolgando o público das bancadas, mas no final o piloto do carro construído pela equipa de Jack Brabham bateria o seu adversário do monolugar concebido por Colin Chapman por menos de dois segundos. Justin Maaers, em Cooper T53, completaria o pódio.

Iberian Historic Endurance foi a competição que se seguiu, oferecendo um revisitar das provas de GT, Turismos e protótipos de outros tempos. O vencedor acabaria por ser um Porsche 911 3.0 RS, que voltou a colocar a marca de Zuffenhausen no livro de ouro do Estoril Classics.

Os carros que formaram diversos pilotos dos anos sessenta e setenta, que dão corpo ao FIA Lurani Trophy, tomaram o palco, podendo ver-se a evoluir diversos tipos de Brabham, Lotus, Lola, entre outros.

Richard Bradley, em Brabham BT2, levou a melhor, conquistando a vitória frente a Mark Shaw, em Brabham BT6, e a Bruno Weibel, em Lotus 22, que integravam um plantel de vinte e quatro bólides.

O desfile de máquinas que fizeram as delícias de milhares, ou milhões de entusiastas, prosseguiu com os 1000Km de Sports Cars Pre-1974.

Carros como o Chevron B19, o Osella PA3, o Lola T292, do Team Bip, eram os cabeças de cartaz, fazendo lembrar as 24 Horas de Le Mans e a prova do Campeonato do Mundo de SportCars que se realizou no Autódromo do Estoril em 1973.

Max Smith Hilliard, em Chevron, foi o mais forte, sendo seguido por John Spiers, em Osella, e por Carlos Tavares, em Lola.

O dia competitivo terminou com o Grupo 1 Portugal, onde se pôde assistir a um duelo entre Ford Escort. João Diogo Lopes levou a melhor na luta pelas honras dos carros de Turismo de há quarenta anos, batendo Paulo Vieira por curta margem.

Com o lusco fusco a ameaçar tomar conta do histórico Autódromo do Estoril, as imponentes máquinas que fizeram história no Mundial de Motociclismo e no Mundial de Superbikes lançaram-se para mais uma exibição frente ao muito público que insistentemente dava cor às bancadas.

O dia acabou com um desfile de carros dos clubes presentes no evento, que deixaram água na boca para mais um dia, o de domingo, pleno de emoções e curiosidades, que, tal como hoje, catalisam os sentidos e transportam-nos para outros tempos.

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