Velocidade nacional inaugura uma nova era em 2019

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A FPAK (Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting) atribuiu à ANPAC (Associação Nacional de Pilotos de Automóveis Clássicos) a promoção dos Campeonatos de Portugal de Velocidade de Clássicos, Clássicos 1300, Legends e do novo Open de Portugal de Velocidade. Abre-se um novo capítulo na modalidade em Portugal, com o arranque já nos dias 13 e 14 de abril, no Circuito do Estoril.

Depois de mais década a dinamizar as competições de Clássicos nos circuitos nacionais, a ANPAC foi a entidade escolhida para a promoção de quatro importantes competições no panorama da Velocidade nacional a partir de 2019: Campeonato de Portugal de Velocidade Clássicos, Campeonato de Portugal de Velocidade Clássicos 1300, Campeonato de Portugal de Velocidade Legends, e uma nova competição que promete revigorar a modalidade em Portugal, o Open de Portugal de Velocidade.

Mantendo a política de estabilidade e promoção do espírito das corridas de Clássicos e Legends em Portugal, a organização da ANPAC espera estender o seu trabalho, dedicação e profissionalismo ao novo Open de Portugal de Velocidade, um campeonato aberto a diferentes tipos de viaturas e que terá um calendário composto por quatro provas: Circuito do Estoril (13 e 14 de abril), Circuito de Braga (18 e 19 de maio), Circuito Internacional de Vila Real (6 e 7 de ulho) e Circuito de Portimão (26 e 27 de outubro). Refira-se que os campeonatos de Portugal de Clássicos e Legends partilharão as três primeiras datas com o Open (Estoril, Braga e Vila Real) mas terão depois jornadas próprias em Braga (21 e 22 de setembro) e Portimão (2 e 3 de novembro).

Principal novidade para a época de 2019, o Open de Portugal de Velocidade está aberto a viaturas de Turismos (divididos por sete categorias), GT (três categorias) e Super Seven (duas categorias), tendo permitido também a incorporação de viaturas TCR Ibérico na sua grelha. Os três títulos em disputa são relativos aos Turismos, GT e Super Seven, não existindo um título absoluto.

Em relação ao formato dos eventos, enquanto os Campeonatos de Portugal de Velocidade de Clássicos e Legends mantêm o esquema habitual de duas corridas por fim de semana, o novo Open de Portugal de Velocidade terá um total de três corridas por prova, duas em formato Sprint (duração até 25 minutos) e uma de Endurance (40 minutos). Uma competição que, de acordo com diversos intervenientes, entre responsáveis da FPAK, ANPAC, pilotos e equipas, promete ser adequada à realidade nacional das corridas de Velocidade, provando que a diversidade e a qualidade das viaturas em pista pode ser sinónimo de espetáculo e competitividade. Aqueçam-se os motores para o Estoril!

Em discurso direto:

Paulo Miguel (piloto e membro da ANPAC): “O segredo do sucesso das corridas de Clássicos e Legends em Portugal é a união dos pilotos e a dedicação que a ANPAC tem colocado no campeonato ao longo dos anos, aliados a um regulamento estável e claro para todos. Há paixão pelas corridas de Clássicos no nosso país e isso nota-se sobretudo pelo espírito e o ambiente que se cria entre os pilotos, já que nenhum de nós é profissional das corridas e ainda assim temos grelhas cheias e provas bem organizadas.”

Paulo Alves (ANPAC): “Como qualquer novo campeonato, o Open de Portugal de Velocidade é um desafio enorme mas que toda a direção e associados da ANPAC aceitaram com o máximo empenho e com vontade de fazer algo que mude o paradigma da Velocidade nacional, mantendo ao mesmo tempo toda a atenção e entusiasmo nos campeonatos de Clássicos e Legends. Para isso contamos com o apoio dos diferentes parceiros e intervenientes, pois só em conjunto conseguiremos trilhar o caminho do sucesso e criar um campeonato que nos orgulhe a todos.”

Francisco Mora (piloto): “Como já temos o carro, a equipa e o conhecimento das provas nacionais, decidimos participar no Open porque não foi possível dar o salto para o TCR Europa, que era o passo lógico na minha carreira depois de ter sido campeão em Portugal. Em 2014 e 2015 fiz duas provas onde estavam diferentes tipos de carros em pista, no CER, por isso tenho uma noção do que irei encontrar.”

José Correia (piloto): “Quando me falaram do Open achei logo boa ideia porque já fiz algumas provas na Velocidade e acho que é o campeonato ideal para o Nissan (GT-R GT3), que é um carro pensado para os circuitos e não para a Montanha. Vai ser interessante voltar a correr numa grelha com vários tipos de carros.”

Gonçalo Manahu (piloto): “Vou participar no Open porque acredito no projeto da ANPAC e porque acho que este é o caminho que a Velocidade em Portugal deve seguir: um campeonato com diferentes tipos de carros e adequado à nossa realidade, sobretudo em termos económicos. No meu caso, eu não poderia correr com o Porsche noutro campeonato em Portugal se não fosse o Open. Espero que seja um sucesso.”

Gabriela Correia (piloto): “Desde os tempos do Karting que sempre quis correr nos automóveis em circuitos e gostei muito da experiência na prova de Portimão no ano passado. Este ano vou encarar o Open como mais uma aprendizagem, serei novamente a piloto mais jovem do campeonato mas estou muito motivada por voltar a correr nas pistas, que sempre foi o meu sonho.”

João Vieira (piloto): “Este ano vou correr com um Porsche 914-6 GT no Campeonato de Portugal de Clássicos. Penso que o sucesso dos nacionais de Clássicos ao longo destes anos deve-se à mistura de diferentes perfis de piloto, desde os pilotos de carreira que já andam nisto há vários anos, até pilotos mais jovens que gostam de carros antigos, e os amantes de automóveis e automobilismo que só agora tiveram capacidade para correr. É um campeonato onde se está por paixão. A maior parte dos pilotos diverte-se, faz a sua própria corrida e passa um bom fim de semana entre amigos.”

Luís Borges (diretor Vettra Motorsport): “A Velocidade já teve vários formatos nos últimos anos que não resultaram e pode ser que este Open seja um modelo mais adequado à nossa realidade. Espero que dê certo. Vamos preparar três carros no Open mas há vários carros parados em Portugal que podem correr neste campeonato.”

Entrevista a Ni Amorim, presidente da FPAK

1 – Porque é que a FPAK entregou a promoção dos campeonatos de Velocidade (Clássicos, Legends e Open de Portugal) à ANPAC?

Atendendo à situação ocorrida com o anterior promotor dos campeonatos de Velocidade, já sobejamente conhecida, e após um breve período de reflexão, achámos por bem dar uma oportunidade à ANPAC, visto que era a entidade que ao longo dos últimos dez anos vinha a acompanhar e apoiar de perto os promotores nos diferentes campeonatos de Clássicos de circuitos.

Ora, essa proximidade por si já nos dava algumas garantias. No que respeita ao Open de Velocidade, competição criada este ano visando não só substituir o anterior Campeonato de Portugal de Velocidade mas também com um novo formato de provas, a decisão de também atribuir a promoção à ANPAC deveu-se ao facto de pretendermos agregar debaixo da mesma entidade os diversos campeonatos de Portugal de Velocidade e assim poder garantir que os fins de semana de provas tenham uma afluência igual ou, se possível, superior à dos anos anteriores. O objetivo é fazer crescer os campeonatos de Velocidade e desejo-lhes, sinceramente, muito sucesso neste empreendimento.

2 – Quais são expectativas da FPAK quanto ao número de carros na primeira prova do Open?

Diz o ditado que “Roma e Pavia não se fizeram num dia”. No entanto, os regulamentos foram alvo de uma análise cuidada até se chegar à versão final e julgo que a solução encontrada é bastante interessante. Visámos, em primeiro lugar, alargar o leque de viaturas que podem participar no Open, nomeadamente através do alargamento do período temporal da homologação das viaturas, isto é, viaturas com homologação a partir de 2000 até à atualidade, Turismos e GT, viaturas ex-troféus, ou seja, quase tudo pode participar. É certo que se dá assim uma rutura com os paradigmas dos anos anteriores, mas julgamos que estamos no caminho certo. No fundo, este formato adequa-se mais à realidade económica que se vive em Portugal.

Por tudo isto estamos convencidos que já na primeira prova, no Circuito do Estoril, deveremos ter na grelha de partida cerca de 15 viaturas, o que a concretizar-se será um começo com bons auspícios.

3 – Como piloto pôde percorrer o mundo e conhecer vários campeonatos diferentes e casos de sucesso. Que mudanças positivas gostaria de ver na Velocidade nacional nos próximos anos?

É uma resposta muito complicada e se houvesse uma solução fácil era só trazer a varinha mágica e estava resolvido. Mas infelizmente é muito mais complicado do que isso. Penso, e isto será quase do senso comum, que tudo tem de começar pela base, pelos mais novos, os praticantes do Karting. São eles os futuros pilotos nos campeonatos de circuitos. Deveria existir no Campeonato de Portugal de Karting uma categoria internacional para os jovens pilotos poderem medir forças e ao mesmo tempo conhecerem os seu colegas de outros países que participam nestes campeonatos de topo, mas isto é quase impraticável devidos aos elevadíssimos custos que acarreta. De seguida, e para poderem continuar a sua evolução ainda no Karting ou já fora dele, o ideal seria poderem ter um troféu de Turismos de baixa cilindrada com custos controlados ou uma competição de Fórmulas, mas mais uma vez aqui verifica-se que os monolugares trazem, sem dúvida, ensinamentos e uma experiência importante, mas também e tornam um funil cada vez mais apertado e cada vez mais caro, por vezes exageradamente caro. Todos visam chegar longe, se possível à F1, e isso, para se tornar realidade, precisa de apoios avultadíssimos que no nosso pais quase ninguém tem capacidade de conseguir.

Pode-se fazer os ditos trofeus como Iniciado, de seguida e com alguns apoios de relevo procurar uma competição em Portugal para ganhar alguma experiência, e uma vez isso conseguido, se puder, o piloto poderá tentar uma competição Internacional, onde terá que estar preparado para competir com concorrentes muitas vezes bem mais apetrechados em todos os sentidos. É fundamental aprender o mais possível em cada uma destas etapas e depois estar no sítio certo na hora certa, algo que conta muito associado ao talento que logicamente tem que existir.

Pelo que disse atrás, gostaria que mais pilotos oriundos do Karting, modalidade que a FPAK tem acarinhado muito, continuassem o seu percurso para as provas de Velocidade. E se não tiverem possibilidade de tentar provas no estrangeiro, perceberem que por cá também temos bons valores e que todos juntos podemos ter campeonatos bem interessantes. A estes jovens podem juntar-se os mais experientes pilotos nacionais em provas como este novo Open de Velocidade, que esperemos que seja um formato duradouro. Partilhamos a ideia de que é preciso estabilidade regulamentar e nas competições para se poder semear e aos poucos ir colhendo e avaliando o sucesso.

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