Drama e emoção marcam último dia dos Super Seven no Estoril

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  • Corrida 2 da S1600 confirmou título de Pedro Falé na categoria Business numa prova em que Paulo Leitão subiu pela primeira vez ao lugar mais alto do pódio e os primos David e Sérgio Saraiva dominaram à geral a categoria Pro;
  • Nos 420R, Ricardo Megre recuperou do infortúnio de sábado para bater José Carlos Pires e vencer pela primeira vez o título na categoria, conquistando assim o penta-campeonato ao volante dos Caterham do Super Seven by Toyo Tires;
  • Num fim-de-semana histórico para a competição, chuva provocou grande incerteza nos resultados e trouxe ainda mais adrenalina às grelhas partilhadas com os concorrentes britânicos da 7 Race Series.

Poderíamos começar pela enorme recuperação de Ricardo Megre, que no sábado, durante a última volta da Corrida 1 dos 420R, foi vítima de uma colisão que lhe provocou danos no corpo e estragos materiais no seu Caterham Super Seven. Ou pela nobreza de José Carlos Pires na hora de passar o testemunho de Campeão, depois de na segunda das três corridas do fim-de-semana (a primeira de Domingo) ter ficado arredado da revalidação do título conquistado no ano passado.

Do mesmo modo, poderíamos ainda destacar a enorme recuperação operada por Francisco Villar e Gonçalo Lobo do Vale em cada uma dessas duas disputas, o primeiro pódio da carreira de Yohan Sousa após a transição do karting para o Super Seven by Toyo Tires ou a forma como Ricardo Rajani controlou o carro à chuva ao longo de domingo em condições de aderência ruinosas.

Mas também a alegria de Paulo Leitão quando subiu pela primeira vez ao 1º lugar da classe Business, apesar de não ter conseguido impedir Pedro Falé de chegar ao título na categoria, e o sentimento de dever cumprido de Sérgio e David Saraiva, quando dominaram à geral e venceram na S1600 Pro, apesar de já terem assistido no dia anterior à consagração de Rodrigo Galveias.

As corridas do Super Seven by Toyo Tires são isto: o melhor exemplo do espírito ‘club racing’, em que é possível ter corridas disputadas ao milímetro com respeito, honra, classe e uma tremenda dose de ‘fair-play’ à mistura. Sobretudo num período em que, apesar dos seus 10 anos de existência, cumpridos em 2018, o Troféu monomarca de maior longevidade em Portugal ainda consegue bater recordes de forma sucessiva, na lista de carros inscritos e pilotos presentes!

SARAIVAS BRILHAM NA S1600 PRO, FALÉ CAMPEÃO DA BUSINESS

Decididos a recuperar do desaire de sábado, em que perderam, em definitivo, o título para Rodrigo Galveias, os primos David e Sérgio Saraiva saíram da pole-position para a corrida de domingo e não mais largaram o comando até final na classe S1600 Pro.

A vitória obtida entre os portugueses e à geral teve precisamente no novo campeão da classe o seu grande opositor, depois de na primeira metade da corrida a britânica Caroline Everett ter dado muito boa conta de si.

“O Team Saraiva entra em todas as competições para ganhar e embora não tenha sido possível sermos campeões este ano, era importante terminar a época desta forma”, afirmaram no final da corrida.

“Muito contente por ter festejado um triunfo na Business”, Paulo Leitão (5º da geral) bateu Bernardo Bello (3º da Pro) e ficou à frente de Pedro Falé nesta derradeira corrida da Super 1600.

Detentor do volante do Super Seven nº 10 e novo campeão da categoria, Falé chegou a rodar fora do pódio da Business, o que colocava em causa a vantagem que tinha amealhado no campeonato. Mas uma segunda metade de prova muito forte, conjugada com a desistência de Nuno Afonso, que ocupava o 2º lugar nas contas do título (sofreu um toque de Bruno Martins que provocou o abandono de ambos num momento em que as condições do piso eram já muito difíceis) garantiu o ambicionado objetivo.

“Foi um ano fantástico. Na última corrida tinha acima que tudo de não cometer erros e gerir a vantagem pontual amealhada no campeonato e foi precisamente isso o que fiz com a ajuda do meu cunhado, que esteve o tempo todo a informar-me em que posição me encontrava. Quero agradecer à minha família e à CRM Motorsport e dar os parabéns ao Paulo e aos meus restantes adversários pela grande época que realizaram”, explicou Pedro Falé.

A fechar o pódio da Business e no 8º lugar da geral terminou José Kol Almeida, autor de uma grande recuperação depois de ter admitido que estava “com receio” ao início face à chuva que se abatia no circuito. “Andei muito devagarinho e procurei não cometer erros para garantir um bom resultado”, comentou.

Seguiu-se a dupla de irmãos António Nunes de Almeida/Rodrigo Nunes de Almeida, que, após o brilharete de sábado (3º lugar da Business), preparava-se para fazer ainda melhor no domingo. Chegaram a rodar em 2º da classe, até perderem gás na segunda metade da prova, mas isso não lhes retirou o “sentimento muito positivo” com que foram para casa.

A fechar o top 10 à geral, Francisco Figueiredo coroou a estreia ao volante de um Super Seven com um fantástico 4º lugar entre os concorrentes da classe Pro, num fim-de-semana em que, apesar das condições meteorológicas, se divertiu “imenso”.

Atrás dele terminaram Fernando Costa (5º Business) e Miguel Couceiro (5º Pro), verdadeiros heróis deste Cabo das Tormentas, ao passo que Frederico Brion Sanchez/Jorge Passanha e Pedro Lacerda ficaram arredados da prova à entrada para a 7ª volta, vítimas de problemas mecânicos.

420R

Com o título por decidir, as duas corridas de domingo da categoria 420R acarretavam consigo uma pressão diferente do habitual. E se a classificação final nos diz que houve lugar a dois pódios distintos, revela também um denominador comum: Ricardo Megre.

No arranque da Corrida 2, o pole-sitter Francisco Villar queria repetir o triunfo obtido no sábado e aproveitar a posição de saída privilegiada. Mas na travagem para a Curva 1 o carro não respondeu da forma esperada e o nº 34 seguiu em frente, com Villar a sentir que algo não estava bem com a travagem assim que tocou no pedal do meio.

O infortúnio acabou por abrir a porta da liderança para os pilotos ingleses que seguiam imediatamente atrás de si e deixar Ricardo Megre confortavelmente na frente dos pilotos portugueses, posição que não mais largaria até ao final da corrida.

O piloto da Atomic começou por abrir uma distância de 2 segundos para José Carlos Pires, diferença que ia crescendo volta após volta. Um erro nas voltas iniciais ainda permitiu a aproximação, mas o nº 17 acabaria por ir definitivamente embora para desespero do nº 53, que via fugirem-lhe das mãos as hipóteses de revalidar o título.

“Estou muito contente com este resultado, porque não merecíamos perder o título nem ficar arredados de lutar por ele por aquilo que nos aconteceu no sábado. Os mecânicos da Atomic fizeram um trabalho incrível no conserto do carro e as máquinas de alinhamento da Pneuvita permitiram-me chegar aqui com um Seven direito para disputar a corrida. Apesar das fortes dores no pescoço e nas costelas, consegui aguentar a duração da prova e festejar o meu 5º campeonato de Caterham”, revelou um visivelmente emocionado Ricardo Megre nos festejos do pódio.

Já José Carlos Pires reconheceu que tinha um carro bom à sua disposição, mas em que o set-up por si escolhido não foi o melhor para enfrentar as condições que tinha em mãos:

“Estava a contar com uma boa corrida porque normalmente ando bem à chuva, mas é sempre um set-up que nós estamos a adivinhar antes desta começar. O carro estava genericamente bom, mas não estava totalmente eficaz, faltando-lhe poder de tração.  Quanto ao campeonato, o ano passado tive a sensação oposta. Cheguei aqui com vantagem pontual e ganhei na última corrida das 3. Este ano foi o contrário, iniciei o fim-de-semana em desvantagem pontual e apesar de ontem ter ficado à frente, hoje não deu. Parabéns ao Ricardo e e agora é tentar ganhar a última corrida livre de pressões”, referiu.

Saindo da 8ª linha da grelha, Yohan Sousa realizou um grande arranque e parecia sobressair nestas condições da pista. Era 5º à passagem da segunda volta e aparentava destinado a terminar no pódio. Mas uma recuperação fantástica de Francisco Villar, que chegou a ser último entre 44 concorrentes, permitiu-lhe chegar a 8º da geral e ao 3º lugar entre os portugueses.

Mais atrás, Jota Jota Magalhães foi 12º da geral e 5º entre os portugueses, à frente de Ricardo Rajani, que travou uma belíssima luta com Paulo Macedo até ao cair do pano, e Luís Calheiros Ferreira — muito prudente na condução à chuva para proteger a sua classificação no campeonato.

Luís Lisboa foi 24º da geral e 8º entre os portugueses, superando o irmão Duarte e Diogo Costa, ao passo que Paulo Galveias ficou arredado desta luta logo nos minutos iniciais da prova, tendo completado apenas 7 voltas e encerrando, assim, a classificação.

CHAVE DE OURO PARA MEGRE COM VITÓRIA À GERAL

Na terceira e derradeira contenda, as condições difíceis repetiram-se. Confusão na partida, com Megre a assumir a liderança nos instantes iniciais e a travar depois uma interessante luta com os pilotos ingleses da 7 Race Series.

A entrada do safety-car baralhou as contas da prova e influenciou a decisão estratégica relativa à paragem obrigatória nas boxes, mas no final o piloto superou a armada britânica sendo ladeado pela primeira vez no pódio por Yohan Sousa (2º entre os portugueses e 3º à geral, num fim-de-semana “muito positivo” para o jovem pluri-campeão do karting) e Gonçalo Lobo do Vale, que recuperou de uma qualificação difícil para fechar o pódio entre os portugueses e terminar no 4º posto da geral.

Também a festejar o melhor resultado do ano, Ricardo Rajani festejou um brilhante 4º lugar entre os portugueses (5º da geral), à frente de José Carlos Pires, que voltou a não ser feliz com a afinação do carro para a chuva. Seguiram-se Paulo Macedo, Luís Lisboa, Francisco Villar e Luís Calheiros Ferreira, à frente da dupla composta pelo pai Paulo e o filho Diogo Costa. Paulo Galveias agora sim recebeu a bandeirada de xadrez num positivo 29º lugar da geral, à frente de Duarte Lisboa, que a uma volta do fim da corrida não evitou uma saída de pista na travagem para a Curva 1.

Azar, desta vez, para JJ Magalhães, que vinha na ressaca de dois pódios em Portimão e no Estoril, e a demonstrar um grande andamento em todas as frentes, tendo completado apenas cinco voltas nesta despedida emocionante do Super Seven by Toyo Tires.

Para Tiago Raposo Magalhães, o Estoril Racing Festival foi um justo anfitrião do melhor ano de sempre do Super Seven by Toyo Tires:

“A exemplo do que aconteceu no sábado e — porque não, durante toda a temporada – voltámos a ter três grandes corridas com muita indefinição no resultado, com as decisões dos títulos em disputa a recaírem novamente na derradeira prova do Super Seven by Toyo Tires. Além de querer dar os parabéns ao Ricardo Megre e ao Pedro Falé pelos títulos obtidos nas suas categorias, tal como sucedeu ontem com o Rodrigo Galveias, quero acima de tudo agradecer o espírito empreendido por todos os pilotos nas provas do Super Seven e o facto de nos pressionarem positivamente a fazer mais e melhor a cada ano que passa”.

Instigado a fazer um balanço da época, o responsável pela CRM Motorsport referiu depois a sua satisfação sobre as listas de participantes obtidas em 2018 e os planos que serão postos em prática já a partir do próximo ano:

“Penso que é verdadeiramente notável que um Troféu que celebrou 10 anos de existência em 2018 continue a crescer desta forma no número de carros e pilotos inscritos. Durante este ano batemos os recordes que já tínhamos estabelecido no ano anterior e só posso sentir-me honrado com a moldura humana que tenho em mãos e com o facto de os pilotos que militam no Super Seven by Toyo Tires continuarem a acreditar neste projeto. É por isso que a CRM Motorsport se empenha tanto em ouvir e responder às suas necessidades, e é também por isso que no próximo ano teremos um calendário alargado, com duas provas extra-campeonato em Mugello e Ascari, e ainda o reforço da parceria com a 7 Race Series promovida pela McMillan Motorsport, traduzindo-se em grelhas ainda mais preenchidas já em 2019!”, concluiu.

Classificação Super Seven by Toyo Tires – Corrida 2, Estoril Racing Festival

420R

1 – #17 Ricardo Megre

2 – #53 José Carlos Pires

3 – #34 Francisco Villar

4 – #212 Yohan Sousa

5 – #21 Jota Jota Magalhães

6 – #30 Gonçalo Lobo do Vale

7 – #34 Ricardo Rajani

8 – #3 Paulo Macedo

9 – #8 Luís Calheiros Ferreira

10 – #20 Luís Lisboa

11 – #19 Duarte Lisboa

12 – #23 Diogo Costa

13 – #28 Paulo Galveias

 

S1600

1 – #13 Sérgio Saraiva/David Saraiva (1º Pro)

2 – #29 Rodrigo Galveias (2º Pro)

3 – #24 Paulo Leitão (1º Business)

4 – #57 Bernardo Bello (3º Pro)

5 – #10 Pedro Falé (2º Business)

6 – #12 José Kol Almeida (3º Business)

7 – #36 António Nunes Almeida/Rodrigo Nunes Almeida (4º Business)

8 – #7 Francisco Figueiredo (4º Pro)

9 – #37 Fernando Costa (5º Business)

10 – #22 Miguel Couceiro (5º Pro)

11 – #44 Frederico Brion Sanchez/Jorge Passanha (6º Business)

12 – #9 Bruno Martins (6º Pro)

13 – #37 Pedro Lacerda (7º Pro)

14 – #44 Nuno Afonso (7º Business)

 

Classificação Super Seven by Toyo Tires – Corrida 3, Estoril Racing Festival

420R

1 – #17 Ricardo Megre

2 – #212 Yohan Sousa

3 – #30 Gonçalo Lobo Vale

4 – #33 Ricardo Rajani

5 – #53 José Carlos Pires

6 – #3 Paulo Macedo

7 – #20 Luís Lisboa

8 – #34 Francisco Villar

9 – #8 Luís Calheiros Ferreira

10 – #23 Paulo Costa/Diogo Costa

11 – #28 Paulo Galveias

12 – #19 Duarte Lisboa

13 – #21 Jota Jota Magalhães

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