A América adora desporto e o outono traz consigo uma cornucópia de acção que vai de costa a costa, atravessando montanhas, tendo lugar sob um céu imenso. Enquanto as rivalidades de futebol americano entre universidades são o centro da atenção no sábado, no domingo os adeptos tem a oportunidade de seguir a NFL, o início dos playoffs da MLB e o princípio das temporadas da NBA e da NHL, mas o desporto automóvel estará também acção.
A cultura automóvel tem sido, e continua a ser, o forno da fábrica da América. E quando a disciplina de automobilismo mais sofisticada e mais avançada tecnologicamente chegar a solo norte-americano, as pessoas vão dar conta.
Aproximadamente duzentos e sessenta mil adeptos marcarão presença no Circuit of the Americas (COTA), em Austin, Texas, entre os dias 19 e 21 de Outubro, quando se realizará o Grande Prémio dos Estados Unidos da América. Isto é três vezes mais a capacidade do AT&T Stadium que alberga a equipa americana, Dallas Cowboys. Será a sétima vez que a pista será o palco de um Grande Prémio de Fórmula 1, mas apenas a terceira vez que os adeptos poderão apoiar a equipa local.
A Haas F1 Team é a única equipa americana a competir na Fórmula 1. A equipa sediada em Kannapolis, Carolina do Norte, debutou em 2016 e tem vindo a evoluir consistentemente cada temporada, tendo marcado vinte e nove pontos na sua época inaugural, subindo para quarenta e sete o ano passado. Ainda com quatro corridas por realizar do calendário de vinte e uma deste ano, a Haas F1 Team está no quinto lugar do Campeonato de Construtores com oitenta e quatro pontos, olhando com o interesse para o quarto lugar da Renault.
O construtor francês está apenas oito pontos à frente da Haas F1 Team e, apesar de a França ser o primeiro aliado da América, não existe um Tratado da Aliança entre a Haas F1 Team e a Renault.
Nas duas últimas corridas que antecederam o Grande Prémio dos Estados Unidos da América, a Haas F1 Team marcou oito pontos e a Renault um, tornando a luta pelo topo do miolo do pelotão no verdadeiro duelo do campeonato, uma vez que a Mercedes detém uma vantagem de setenta e oito pontos face à Scuderia Ferrari e duzentos e dezanove relativamente à Red Bull, a terceira classificada.
Muito embora não exista champanhe para o título de melhor dos outros, existe um valor intrínseco no feito, especialmente por ser apenas a terceira temporada da equipa, que tem como oponentes formações com décadas de experiência na Fórmula 1.
Por muito que os americanos adorem desporto, tem também um especial apreço por equipas que vão além das suas capacidades. Talvez se tenha devido à insurreição de colonos contra o maior império do mundo moderno. Acreditavam que podiam vencer, então, e essa convicção persiste mais de dois séculos depois.
Apesar do seu estatuto de que se bate com gigantes, a Haas F1 Team acredita que pode ser a melhor das outras e para aí chegar, significa que terá de continuar a marcar pontos com Romain Grosjean e Kevin Magnussen. Ambos os pilotos já conseguiram marcar pontos no COTA. Na segunda participação no traçado de 5,513 quilómetros e vinte curvas, em 2013, Romain Grosjean terminou no segundo lugar, atrás do Red Bull de Sebastian Vettel, o melhor resultado da sua carreira. É um dos três resultados nos pontos que Grosjean alcançou em seis arranques no COTA. O seu colega de equipa, Kevin Magnussen, terminou nos pontos na primeira vez que esteve no COTA, em 2014, quando terminou em oitavo. E na sua segunda corrida de Fórmula 1 no COTA, em 2016, Magnussen cruzou a linha de meta num respeitável décimo segundo posto.
Com uma história de pontos no COTA e de pontos nas suas corridas mais recentes, no Japão, a Haas F1 Team chega a casa a apontar na direcção certa e continuar a somar pontos.